O que eu faria, frente à crise.

Minha recomendação para as startups

Não vou me alongar explicando a gravidade da crise que vamos enfrentar nos próximos meses por culpa do Corona e não entrarei no mérito da gravidade da doença e das consequências desastrosas para aqueles que não tem o mesmo privilégio que eu e você que está lendo esse texto de barriga cheia, com cobertor quente e com um cafezinho quente na caneca.

Possivelmente passaremos por um período de diminuição na atividade econômica e teremos grandes desafios em toda a cadeia produtiva visto que tudo que compramos hoje faz parte de um mundo globalizado. Do fornecimento de matérias primas pra indústria até bens de consumo.

Vamos levar algum tempo até ver a recuperação econômica que coloque tudo nos mesmos patamares que estávamos em dezembro de 2019 e por esse motivo, precisamos rever e questionar todas as premissas de negócios que estavam planejadas para o ano.

O objetivo principal que enfrentamos agora é diminuir a curva de crescimento de novos casos e por esse motivo, precisamos adotar algumas medidas enquanto sociedade e outras medidas enquanto gestores de negócios.

Como investidor anjo, essas são as minhas recomendações para as minhas startups investidas e para os times que lidero. Acredito que ao compartilhar elas com vocês estou ajudando outros fundadores com ações praticas que podem ajudar o ecossistema como um todo.

Captação de investimentos

Assim como aconteceu nas crises de 2001 e 2009, os investimentos tendem a diminuir significativamente.

Se você está levantando capital nesse momento, faça isso rápido se está no meio do processo e se possível, capte um pouco mais do que estava planejado. Se estava planejando abrir um round agora, reavalie a estratégia ou tenha certeza que já existem investidores dispostos a fechar 60-75% do round porque a torneira pode fechar e você travar no meio da rodada.

O mindset do momento é a criatividade para gerar receita e passar pelas adversidades, enfrentando a falta de capital com resultado e gestão. Definitivamente aqueles que saírem da crise estarão bem posicionados para a recuperação, então crie seu war room de idéias e vai pra cima .

Como está o caixa da sua startup?

Imagine que entraremos em recessão. Clientes podem cancelar contratos, vendas que estavam “fechadas” podem cair inesperadamente. Para muitas startups o cenário será de queda nas vendas. Pode ser que a economia recupere rápido, mas o exercício de se preparar para um cenário pessimista é obrigação do líder.

  • Quais seriam as mudanças que fariam sua startup durar mais?

  • Qual o plano de contingência para uma queda de 30% da receita?

  • E qual o plano para 50%?

Seu cliente vai sofrer consequências

Como passaremos por uma crise sistêmica, todos irão sofrer as consequências e seus clientes também viverão problemas de ordem pessoal e de negócios.

  • Você consegue antecipar contratos?

  • Quais a sua política de devolução/cancelamentos?

  • Consegue criar mecanismos de retenção que tire sua startup da linha de corte de custos do cliente?

Aperte os gastos com Marketing

Se as vendas caem, a receita cai e para manter o ritmo do crescimento em meio a crise seu CAC (Custo de aquisição de cliente) provavelmente vai subir. Como consequência, seu retorno sobre o investimento vai cair, então mantenha os cintos apertados e invista nos melhores canais de aquisição já prevendo uma redução em quanto o seu cliente vai retornar de receita para você nos próximos meses.

Seu LTV (Lifetime value) tende a cair e por esse motivo você precisa redobrar a atenção na relação LTV/CAC para não sofrer as consequências futuras de um cliente que não paga o suficiente para gerar lucro operacional.

Se você planeja organizar eventos nos próximos meses, reavalie.

Cortes podem ser necessários e convenientes

Não tem notícia boa hoje mas você pode aproveitar essa crise para buscar eficiência. Se você já pensava em mudar algumas posições ou demitir pessoas que não estavam gerando resultado, essa é a hora certa pra se fazer isso.

  • Se você pode fazer mais com menos, faça.

  • O que você pode fazer para aumentar a produtividade individual?

  • Como você pode motivar seu time frente a esse desafio?

Adote o trabalho remoto

Startups estão mais acostumadas ao trabalho remoto do que empresas tradicionais e esse é o melhor momento para você implementar isso no seu negócio.

Se você não tem isso na sua cultura, faça uma semana de teste com o seu time, decida quais ferramentas vão usar, mantenha todos conectados por vídeo e não deixe de fazer as reuniões de time, as daily meetings etc. Recomende o trabalho remoto de casa, não de cafeterias pois elas serão um foco maior ainda de pessoas que podem transmitir o vírus.

Uma dica incrível:

O livro **REMOTE** do Jason Fried da 37Signals é uma bíblia do trabalho remoto. Ele decidiu dar 100% de devolução do valor do livro durante a epidemia para que todas as pessoas possam comprar, aprender e trabalhar remoto.

Veja mais detalhes nesse tweet:

Outros pontos importantes sobre sua equipe

Se pessoas da sua startup tem filhos, prepare-se porque as instituições de ensino irão fechar, sobrecarregando os pais que precisão dar atenção para as crianças em casa. Mais um motivo para o trabalho remoto acima.

Mude a politica de compartilhamento do seu escritório, por mais que as pessoas gostem da área da cafeteira cheia de comidas, potes de biscoito etc. Não é a melhor época para compartilhamento de copos, dividir comida etc.

Prepare seu ambiente de trabalho com placas nos banheiros, álcool em gel em todos os lugares e para aqueles que estão com sinais de gripe mande imediatamente para casa.

Esteja preparado para uma segunda onda

Historicamente epidemias geram reações de controle imediatas, o que no curto prazo reduz muito o número de novos casos. Após essa redução as pessoas relaxam, a mídia acalma e tudo parece voltar ao normal. Nessa hora geralmente uma segunda onda de pessoas que não foram infectadas acontece e o caos retorna. Isso aconteceu com a gripe espanhola e o H1N1.

Adapte-se ou morra

A carta pública da SEQUOIA (que serviu de base para esse artigo) traz uma lição aprendida nos últimos 50 anos de investimento, que eu traduzo abaixo:

Tendo resistido a todas as crises nos negócios por quase cinquenta anos, aprendemos uma lição importante - ninguém se arrepende de fazer ajustes rápidos e decisivos nas mudanças de circunstâncias. Nas crises, os níveis de receita e caixa sempre caem mais rápido que as despesas. De certa forma, os negócios refletem a biologia. Como Darwin supôs, aqueles que sobrevivem “não são os mais fortes nem os mais inteligentes, mas os que se adaptam mais rápido às mudanças”.

Essa news é gratuita e a graça de escrever nela é ver que ela importa pra você. Tira um print, compartilha nas suas redes e me marca? Indique ela pra sua rede e me ajude a espalhar?

Keep Calm and Carry On.